20 de abr de 2008

Fonte: CeluloseOnline
http://www.celuloseonline.com.br/pagina/pagina.asp?IDItem=4136&IDNoticia=2340
Por Alexandre Carolo 24/06/2004

Empresas que produzem papel a partir da fibra de bananeira investem em suas unidades, preocupadas com aumento da demanda, meio-ambiente e responsabilidade social.A Transform Australia, empresa australiana que utiliza fibras de bananeira para produzir papel em pequena escala, está buscando novos parceiros para colocar em prática um projeto de produção comercial. A empresa, que necessita de um investimento de U$ 2,1 milhões, quer aumentar a produção para atender à demanda.Os três sócios da companhia, Tom Johnston, John Dunleivy e Jo Doecke, já investiram US$ 700 mil na unidade que atualmente passa por uma ampliação. A máquina de papel, que tem capacidade para produzir 2 mil toneladas por ano, está sendo reconstruída e passará a fabricar 20 mil toneladas. A planta, localizada em North Queensland, na região de cultivo de banana da Austrália, é considerada a única fábrica de papel 100% produzido a partir da fibra da bananeira. O projeto foi desenvolvido pelo fundador da companhia, Tom Johnston, e pelo pesquisador da Universidade de Adelaide, Ramy Azer.O protótipo da fábrica foi criado em 2002, com o objetivo de produzir cerca de 500 quilos de cartões pessoais e sacos feitos de fibra de banana. "Hoje estamos próximos de começar a produção comercial na medida em que muitas companhias estão prontas para encomendar grandes quantidades", disse o diretor.O obstáculo fica por conta da falta de recursos. Para isso, os três sócios já concordaram em vender 30% da Transform Australia para subsidiar o projeto de produção comercial. Segundo Johnston, acionista majoritário, com 75% da companhia, ainda são necessários US$ 2,1 milhões para que o projeto possa ser desenvolvido.A Transform Australia garante que o papel feito da fibra da bananeira é 300 vezes mais forte do que o papel produzido a partir da celulose convencional. "O papelo é impermeável, completamente biodegradável e ambientalmente amigável uma vez que utiliza um produto normalmente não aproveitável", disse Johnston. A empresa indica que não são utilizados aditivos, químicos, colas ou corantes na produção,que dispensa água, uma vez que as árvores contêm bastante seiva própria para reagrupamento. A companhia acredita que o papel de banana pode substituir 85% do atual consumo mundial.
C&P do Caribe aposta na fibra da bananeira para ajudara diminuir problemas sociais e ambientais da Costa Rica
Um dos grandes problemas que enfrentam os países produtores de banana é a eliminação dos resíduos orgânicos originados na produção, seleção, embalagem e exportação da fruta. A Costa Rica, por exemplo, é o segundo produtor mundial de banana e, por isso, um de seus maiores problemas consiste na eliminação do ráquis (eixo que sustenta os cachos de bananas) ou bagaço, que geram custos importantes em termos de ambiente e finanças.Na Costa Rica também existem problemas sócio-econômicos gerados tanto pelo latifúndio agrícola bananeiro e pecuário, como pelos minifúndios agrícolas não rentáveis. Atualmente, a grande escassez de emprego e os baixos salários geram migrações periódicas dentro e fora da região. Além disso, uma porcentagem elevada de agricultores venderam suas terras, pois uma pequena parcela não gera receita suficiente para poder manter suas famílias.Para ajudar a diminuir os problemas sociais e ambientais do país, a empresa Celulose e Papéis do Caribe (CPC) criou duas centrais produtivas, capazes de gerar pelo menos 250 novos empregos. Uma delas é para a produção de celulose, a partir da reciclagem do ráquis e processamento do kenaf (outra fibra alternativa). A outra central é dedicada à fabricação de papel e papelão usando celulose virgem de ráquis, kenaf e papelão reciclado.Com esse projeto, a CPC pretende atuar não somente no que diz respeito ao custo ambiental e financeiro do ráquis, mas também para convertê-lo em uma fonte rentável e sustentável de divisas, mediante a produção de polpa e papel.A empresa já deu início a um processo de patente, fruto da pesquisa iniciada há 15 anos em conjunto com a Universidade da Costa Rica. Assim, serão consumidos papel e papelão reciclado coletados em todo o país, sempre que seja rentável.Para isso foram estabelecidos convênios com produtores de banana para a colheita do ráquis, em um raio de ação de 20 quilômetros da empresa. Na CPC foram desenvolvidos e construídos equipamentos adequados para o corte e desfibramento do ráquis. Os equipamentos foram projetados de maneira que as fibras obtidas tenham a longitude e especificações adequadas para se conseguir uma boa e constante qualidade da celulose.Na Costa Rica, cerca de 12% da produção total de resíduos correspondem ao papel e seus subprodutos. Esse projeto inclui a utilização do papel reciclado como matéria prima que, combinada com outras fibras virgens processadas pela empresa, oferecem ao mercado de exportação papéis de primeira qualidade tanto para escrever quanto para embalar.Estratégia empresarialO enfoque ambiental da CPC inclui não apenas o aproveitamento da reciclagem, tanto do ráquis das plantações de banana nas aldeias como do uso da fibra do kenaf, mas também uma visão ampla do impacto da empresa para o meio ambiente como efeito de seu processo produtivo.Esse enfoque global implica a utilização de processos de branqueamento, nos quais será evitado o uso de clorados, a reutilização e filtragem da água do processo para a recuperação e aproveitamento máximo das fibras injetadas ao processo, a minimização da utilização de químicos para conseguir os acabamentos requeridos no papel, a eficiência do consumo de combustíveis e a incorporação de práticas de segurança e higiene industrial adequadas às condições e caracaterísticas da companhia.

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